A nossa Comunidade é formada por cristãos: homens e mulheres, adultos e jovens, de todas as condições sociais que desejam seguir Jesus Cristo mais de perto e trabalhar com Ele na construção do Reino, e reconheceram na CVX a sua particular vocação na Igreja (PG4)

25 dezembro 2013

Natal


Marko Rupnik

É Natal, Jesus nasceu! 
Está connosco o Emanuel. 
Boas Festas!
                  Maranathá



15 dezembro 2013

REZAR EM TEMPO DE ADVENTO

 MARANATHÁ


Como é fácil, Senhor Jesus,
Daqui, de ao pé da tua Cruz,
Avistar a paisagem do Advento,
Compreender-lhe a mensagem,
Respirar-lhe o alento.

Daqui, de ao pé da tua Cruz de Luz,
Sem dúvida o lugar mais alto do mundo,
Mais alto e mais profundo,
Vê-se bem, com toda a claridade,
Que a lonjura do Advento não é horizontal.
Eleva-se em altura.
Como a tua túnica tecida de Alto-a-baixo,
Vertical,
E sem costura.

Tu vens do Alto, Senhor.
Tu vens de Deus.
Tu és Deus.
Tu és o Justo
Que chove das alturas
Sobre a nossa humanidade sedenta e às escuras.

Vem, Senhor Jesus,
Alumia e rega a nossa terra dura,
Acaricia o nosso humilde chão
E modela com as tuas mãos de amor
Em cada um de nós
Um novo coração
Capaz de ver.
Capaz de Te ver
Nascer
Em cada irmão.

D. António Couto

24 novembro 2013

Semear a Fé...


SEMEAR A FÉ NO CAMPO E NA CIDADE

1. Falo do umbral do outono, de uma praça carregada de metáforas. Moro aqui debaixo deste céu. Claro que durmo ao relento. Sou pobre e puro. Pedinte apenas à porta do espírito. Como os plátanos no púlpito das praças, abrigo os pássaros. Atiram-me pedras os meninos. O meu lugar é aqui, de bruços nas palavras, pedra a pedra construindo o pátio do poema. É assim que hoje enfrento, em estilo diferente, os dizeres deste Domingo XXVII do Tempo Comum.

 2. Oiço bater à porta. Serás tu ainda? Que fruto trazes nas tuas mãos despidas? Um balde? O mar? O mar num balde? As rochas a estalar? O lume a arder em febre? Uma estrela cadente envolta em neblina?

 3. Trazes a história de uma semente pequenina, microscópica. Dizes, para espanto meu, que, lançada à terra, dela nascerá uma árvore grande, em cujos ramos vêm abrigar-se os pássaros do céu, fazendo dela uma lareira carregada de alegria. E dizes, outra vez para espanto meu, que a FÉ tem o tamanho e o virtuosismo dessa semente pequenina, que semeada no meu coração e no coração do mundo pode desenraizar o que nos parece seguro, sólido, assegurado, fazer ruir os nossos cálculos mais estudados, fazer florir o alcatrão das nossas estradas, fazer sorrir a nossa história desgraçada, arrancar embondeiros, plantar no mar aquilo que parece só poder viver na terra.

 4. Acrescentas logo, sempre para espanto meu, que uma vida de serviço e da máxima simplicidade é a melhor. E que é também a melhor pregação. Servir por amor. Sem tempo nem contrato. Sem cláusulas. Doação total. Dar a vida como tu, Senhor e Servo.

 5. Para me dizeres tanto, foste buscar metáforas ao campo: a semente, as árvores e o servo (Lucas 17,5-10). E do campo, levas-me a visitar o jardim de Habacuc. Poucos saberão, mas Habacuc é o nome de uma planta de jardim. Está de passagem. De manhã viceja, à tarde seca. É preciso ir depressa. Até porque Habacuc ainda tem de ir à cidade e escrever num grande painel publicitário que «o não-recto perecerá, mas o justo viverá pela FÉ» (2,4).

 6. A FÉ é a tal sementinha que pode virar do avesso a nossa vida, a nossa casa, a nossa rua, a nossa cidade, a nossa história.

 7. Corre e demora-te a ver esse painel, metáfora erguida na cidade, e aprende a FÉ, isto é, a FIDELIDADE. S. Paulo demorou-se longamente a contemplar esse painel, de tal maneira que gravou os seus dizeres na alma e em Romanos 1,17 e Gálatas 3,11.

 8. Sim, Timóteo (2 Tm 1,6-8.13-14), reacende o dom de Deus que arde em ti, não tenhas vergonha do Evangelho, dá testemunho de Jesus cristo, guarda a FÉ!
António Couto

17 novembro 2013

Vim Aqui


Intenção para estes dias...


Mostarda

mostarda

Grão de Mostarda: o testemunho da Paula Rabaça

Tal como já havia acontecido uns anos antes, com um movimento juvenil de que fiz parte, conheci a CVX através de uma amiga, a Celina Pires! A ela devo esses dois grandes “acontecimentos” da minha vida!

 Iniciei-me, pois, na CVX de Castelo Branco, em 2001 e isso foi decisivo para o meu crescimento pessoal, cristão, profissional e humano. Desde o início me senti atraída pela proposta de “integrar a vida e a fé” e este é um caminho que continuo a percorrer, embora agora já inserida noutro grupo, na Covilhã.

O “Grão de Mostarda” continua, porém, a trazer-me boas recordações. Uma delas é, sem dúvida, a da escolha do nome que foi muito consensual, dada a simbologia da parábola.

À escolha do nome seguiu-se, quase por brincadeira, a proposta de termos também o respectivo logótipo. Assim surgiu a “imagem de marca” do grupo, inspirada num velho livro de plantas medicinais. Ali se dizia que a Brassica (nome científico da mostarda) é uma crucífera, vulgar no seu estado espontâneo em toda a Europa. A designação vulgar de “mostarda” adveio do “mosto ardente” obtido pela trituração das suas sementes. É aconselhada para nevralgias, bronquites e reumatismo… Porém, o que nela mais nos atraiu foi o desejo do MAGIS, o desejo de, à semelhança dela, crescermos individualmente e em grupo, como cristãos em cujos ramos se possam abrigar os que nos rodeiam, particularmente os mais fragilizados!

 

06 novembro 2013

Grão de mostarda


Rostos que foram passando pela comunidade Grão de mostarda e permitiram o seu crescimento

CVX Grão de Mostarda

         Para quem teve a experiência de conhecer a espiritualidade inaciana e de a viver de forma encarnada na vida de um centro universitário e de um grupo CVX próprio para esta faixa etária (agora chamam-se CVX-U, mas na altura eram todos igualmente CVX…), o regresso às fontes, mais concretamente Castelo Branco, trouxe consigo a necessidade de não deixar perder esta riqueza imensa experimentada no CUPAV, em Lisboa. Depois de terminar o curso e ter regressado a Castelo Branco mantive durante mais de um ano a pertença ao meu grupo de origem em Lisboa, até que tal se revelou incomportável e comecei a sentir o apelo de procurar “amigos no senhor” em Castelo Branco.
        
         Conversando com a Helena Paula Mendonça, que partilhava da minha vontade, começamos a procurar gente que sentisse a mesma vontade ou que tivesse curiosidade em experimentar a dinâmica e a espiritualidade de um grupo CVX. Contactei o P. José Pires sj, que na altura residia na comunidade da Covilhã que foi o primeiro guia do grupo e que foi fundamental para o seu arranque e lançar de raízes. Assim começou a germinar esta minúscula semente. No princípio eramos 8 – A Helena Paula e o Amândio, na altura noivos, a Leonor, a São, a Helena Nunes, a Nucha, a Mafalda Romãozinho e eu. O grupo começou a reunir em 1996, a primeira reunião foi no dia 17 de Novembro desse mesmo ano.

         O nome de Grão de Mostarda foi proposto numa reunião, quando achámos que seria altura de dar nome a este grupo que ía criando raízes e foi consensual. E aí está, a mais pequena das sementes, que vai dando abrigo às aves que a ele se recolhem.

         Também eu, já longe do grupo há tanto tempo, permaneço ligada a ele com raízes profundas.

         Felicidades GdM. Que a parábola se cumpra sempre.

Cristina Lima

Grão de mostarda


31 outubro 2013

Ecos da Assembleia Responsáveis - Soutelo, 4 a 6 Outubro 2013

      


           A Equipa Nacional CVX reuniu-se com as diversas Equipas Regionais e Equipa de Formação, em Assembleia de Responsáveis, tendo como pano de fundo a partilha dos ecos da Assembleia Mundial da CVX – Líbano 2013, centrada no tema “Das nossas raízes para as nossas fronteiras”.

Todos os participantes tiveram oportunidade de previamente tomar contato com os principais documentos emanados da Assembleia Mundial, tais como a intervenção do Superior Geral da Companhia de Jesus, P. Adolfo Nicolás, bem como as apresentações intituladas “Corpo Apostólico Laical”, “Desafios da missão CVX” e ainda uma reflexão “Não há futuro sem colaboração” sobre a pertinência da colaboração entre a CVX e a Companhia de Jesus.

Estes textos foram depois analisados, em trabalhos de grupo, apresentando-se em plenário as principais conclusões dos conteúdos em reflexão, numa perspetiva de discernimento sobre o modo como esses documentos e as conclusões da Assembleia Mundial podem orientar a CVX-P na preparação da Assembleia Nacional, a realizar em março de 2014.

 Estes documentos bem como o das considerações finais da Assembleia Mundial, já disponível em português, serão disponibilizados para todos os elementos CVX da nossa região para que conheçamos mais e melhor os caminhos por onde evolui a CVX.

Além disso pretende-se que nos motivemos a participar num encontro a nível regional, no próximo dia 7 de dezembro, orientado pela Presidente da CVX-P, Teresa Sabido Costa, que vem propor uma reflexão sobre os referidos documentos e ainda partilhar a experiência vivida como delegada à Assembleia Mundial.  
 


 

28 outubro 2013

Passeio 2013 - Piódão

Passeio CVX BI - 2013
Partimos da Covilhã, no passado dia 26 de outubro, por volta das 9h 23m. 
Indo em direção ao Piódão, nosso destino, o grupo composto por 11 adultos e 4 crianças, fez- se à estrada, passando pelo Tortosendo, Unhais da Serra, Pedras Lavradas, Teixeira, Vide, entre outras aldeias plantadas nas belas Serras da Estrela e do Açor.
Olhando para a beleza da natureza que nos envolvia, descobrimos na Foz D’Égua um Presépio cravado na encosta e um pequeno Santuário, onde fizemos uma pequena oração. Para chegar a este refúgio tivemos que atravessar uma ponte de madeira suspensa, que nos fez transportar para os filmes do “Indiana Jones”.
Chegados ao Piódão e pairando a ameaça de chuva, fomos à procura de um local para podermos almoçar. Encontrado o local, diga-se com excelentes vistas para a aldeia, foi tempo de nos deliciarmos com as saborosas iguarias que cada um levou. Estava tudo muito bom. Foi um momento agradável, onde reinou a boa disposição, contando até com um galheteiro tecnologicamente avançado. (Curiosos…vão ao próximo passeio…). Após o magnífico repasto, percorremos as ruas estreitas e acolhedoras desta aldeia presépio, visitando a capela de S. Pedro e a Igreja.
De tarde, acionámos o dispositivo 4x4 das viaturas e fomos em direção ao Monte do Colcurrinho, onde visitámos a capela da Nª Sr.ª das Necessidades. Daí pudemos presentear os nossos olhos e o nosso espírito com paisagens deslumbrantes. De seguida, partimos rumo ao Santuário de Nª Sr.ª das Preces, onde aproveitamos a tranquilidade do espaço para retemperar as energias com um delicioso lanche.
Antes de regressarmos à Covilhã tivemos mais um momento de oração.
Ora aqui fica o testemunho de mais um belo passeio, onde a alegria e boa disposição (e um galheteiro ultra moderno) foram ingredientes sempre presentes.
 
 


15 outubro 2013

Recomeçar...

Após um período de interregno para férias, retomamos as nossas reuniões quinzenais de CVX, numa atitude de renovação e compromisso, deixado na última reunião de avaliação.

É sempre bom o recomeçar, termos a humildade de reconhecer que nem sempre damos espaço às coisas de Deus, mesmo quando a nossa atividade no dia-a-dia seja mais reduzida, quer no período de férias ou em outra situação qualquer.

O iniciar das reuniões de CVX, não é mais nem menos, o tomar consciência do lugar que reservamos aos apelos do Senhor, em todas as dimensões da nossa vida.

Recomeçar é a oportunidade que Deus nos dá diariamente, em cada dia da nossa efémera existência humana, para nos deixarmos transformar e moldar pelo Seu amor. Por intermédio da CVX partilhamos as nossas vivências quotidianas, tendo sempre como objetivo comum estas interrogações: Qual é a minha verdadeira missão como cristão nos dias presentes? Qual é meu papel como membro da Comunidade de Vida Cristã?

A oração deve ter um espaço central como fonte primordial no alimentar da nossa fé. Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio são o testemunho desse compromisso, para além dos verdadeiros alicerces, onde assenta toda a nossa espiritualidade.

O recomeçar é ter consciência de todas as nossas fragilidades humanas e, com essas fragilidades, Deus faz-se sentir presente por intermédio do Seu convite incessante, independentemente das mil e uma desculpas que encontramos, para justificarmos a falta de confiança no Seu Amor.

Numa homilia o Papa Francisco referiu: Quando não rezamos, fechamos as portas ao Senhor para que Ele não possa fazer nada! Ao invés, diante de um problema, de uma situação difícil, de uma calamidade, a oração abre as portas ao Senhor para que Ele venha. Ele refaz as coisas, Ele sabe arranjar as coisas, colocá-las no lugar. Rezar é isso: abrir as portas ao Senhor. Se as fecharmos, Ele não pode fazer nada.

Que neste início do ano procuremos encontrar através da oração, as resistências necessárias para não deixarmos fechar a portas do nosso coração ao Espírito do Senhor.
                                                                                                             Gilberto Pires,
                                                                                                                         5ª Semana

13 outubro 2013

Nova Equipa regional CVX-BI


No passado dia 15 de setembro deu-se início a mais um ano de atividades CVX BI. O encontro decorreu, como tem sido habitual, nas instalações da Paróquia de São Pedro, na Covilhã.
Depois do acolhimento, no programa deste ano constava a eleição de dois novos elementos para a Equipa Regional. Foram eleitas a Célia Mateus (“Grão de Mostrada”) e a Ana Teresa Brás (“5ª semana”) que substituíram a Susel Fonseca e a Carla Figueiredo que cessaram as suas funções. Seguiu-se um momento de oração e de envio da nova Equipa Regional, agora constituída pela Sílvia Almeida, pelo Paulo Fael, pela Célia Mateus, pela Ana Teresa Brás e pelo P. Hermínio Vitorino sj, assistente regional.  
Por último, e para terminar o encontro, participou-se na Eucaristia das 19 horas da Paróquia.

 

04 agosto 2013

Caro amigos da CVX. BI


Estamos em tempos de Férias, (para a maioria de nós) e escrevo-vos estas breves palavras!

Antes de mais, desejo a todos umas Boas Férias repousadas, não esquecendo a oração, a proximidade e companhia de Deus, que, como diz Santo Inácio, "habita, trabalha em nós..." continuamente. "Tudo vem d'Ele".
Rezemos todos pela eleição de 50% da Equipa Regional CVX.BI, que terá lugar a meados de Setembro, aquando do arranque do novo Ano CVX 2013 – 2014, no dia 15 de Setembro (domingo), às 16 horas em S. Tiago.
Nenhum de nós se pode e deve colocar fora deste processo e dinâmica da nossa Região. Todos estamos incluídos e fazemos parte da CVX.BI. Há muitos modos de participar e de colaborar: ora rezando uns pelos outros, ora discernindo bem e colocando-me ao serviço da equipa Regional, caso seja chamado a essa missão, etc... A CVX é de todos e para todos! 
Faço votos para que o Espírito Santo inspire a todos, e cada um possa perceber qual é a vontade de Deus, a seu respeito, neste momento da vida da CVX.BI e não só!

Todos nós temos bastante trabalho mas cada um, diante de Deus, fará a sua reflexão e Deus lhe mostrará o Seu caminho. Para tal é necessário disponibilidade, liberdade interior, despojamento de si mesmo, desejo de servir mais e melhor...
Esta é uma oportunidade para colocarmos em acção "os instrumentos do Exame de Consciência e, principalmente, do Discernimento", tão próprios da Espiritualidade Inaciana.

É já tempo para começarmos a agradecer à Susel e à Carla (pois são elas as duas terminam em Setembro a sua missão ao serviço da Região B.I) toda a sua dedicação e generosidade durante os últimos 4 anos. UM BEM-HAJA!

Um abraço e até breve!
BOAS FÉRIAS.

P. Hermínio Vitorino, sj


(fotos da Caminhada CVX)






(fotos da Caminhada CVX)



(postado por Alice Matos)

30 julho 2013

CVX 2012/2013… um ano para agradecer.


A CVX-BI reuniu-se no passado dia 6 Julho para encerramento das actividades 2012/2013.
Foi um regresso ao Covão D’Ametade, local de excelência na serra, principalmente nestes dias quentes de verão. As multifacetadas sombras, o espaço generoso, o ambiente fresco e acima de tudo o enquadramento paisagístico fazem realmente deste covão um lugar muito adequado para quem pretende dar graças pelo dons e todos os bens recebidos em CVX ao longo do ano…. É no recolhimento, no sossego, em contacto com a natureza, que o Senhor nos convida a escutá-Lo e a permanecer com Ele: "Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos. E eu vos aliviarei." (Mt 11, 28-30)
Estiveram todas as comunidades representadas: “Os Profissionais”, “Grão de mostarda”, “5ªsemana” e “Maranathá”, e praticamente todas as crianças da CVX-BI marcaram a sua presença, o que de certa maneira conferiu àquele dia uma dinâmica especial de festa, alegria e movimento, próprio destas idades.

Fomos chegando ao Covão… diferentes comunidades, diferentes caminhadas, diferentes missões, e até em ritmos diferentes. Mas todos partilhando uma missão comum, decorrente muito mais da comunhão do modo de proceder e de estilo de vida do que de uniformidades externas (Guião de compromisso, pp.10-11). Na verdade, é nestes grandes encontros de reunião da comunidade CVX que fica mais claro que a missão a que somos chamados é muito mais a atitude e o desejo de procurar continuamente a vontade de Deus na continua construção do reino, do que propriamente o serviço que é realizado nesses propósitos. Por isso mesmo é que a nossa comunidade é um estilo de vida cristã (in Carisma CVX).

Antes do almoço partilhado, o assistente regional Pe. Hermínio Vitorino celebrou connosco a eucaristia. “Louvai o Senhor, porque Ele é bom” (Sl134) foi o refrão do salmo que pudemos ouvir, rezar e escutar. E realmente num encontro de fim de ano, o primeiro olhar terá que ser necessariamente um olhar de agradecimento e de louvor por o Senhor continuar a ser bom connosco, pelo Senhor continuar a amar-nos, pelo Senhor ter continuado a apostar em cada um de nós, e de modo especial na CVX. Esta atitude de louvor e agradecimento a Deus perante tantos dons e graças constitui como se sabe a primeira etapa do exame de consciência, instrumento de tão agrado de St. Inácio (EE43), e tão recomendado à CVX. Esse agradecimento é tanto maior quanto mais reconhecermos que não é tanto pelo nosso mérito, valor ou capacidade, mas é expressão gratuita deste Deus-Amor. Aliás não seria difícil enumerar tantas situações de infidelidade, de faltas de amor ao outro, de esquecimento… que tivemos ao longo deste ano. Porém o Senhor, mesmo nessas circunstâncias, não nos abandona, inclusive faz uso delas para nos ajudar, para nos orientar, para Se revelar. Um pouco à semelhança do que fez com Jacob, mesmo quando este se disfarçou do seu irmão Esaú para ter a bênção do seu pai Isaac (Gen 27, 1-5), como ouvimos na celebração da palavra. Este abraçar da realidade, este encarnar para salvar, este nunca desistir, este renovar contínuo são por demais razões de agradecimento que consequentemente nos conduzem à tríplice interrogação pessoal “o que tenho feito por Cristo, o que faço por Cristo, o que devo fazer por Cristo” (EE53). A CVX deve ser continuamente confrontada por este colóquio, porque em última análise é do discernimento pessoal e comunitário que a CVX confirma o seu carisma e o seu estilo de vida.  

É neste discernimento, de quem pretende “em tudo amar e servir, que os nomeados pelas comunidades da CVX-BI às próximas eleições devem procurar comprometer-se. A nossa oração e comunhão deve ir nesse sentido, tal como foi apresentado ao Senhor na eucaristia celebrada. Este pode ser um dos nossos modos comuns de viver a CVX neste tempo de pausa e de férias: rezarmos, confiarmos e pedirmos para que os nomeados se deixem abrir à graça do Senhor para melhor estarem ao Seu serviço e em Seu louvor. 
Que seja tudo para a maior glória de Deus!

Rui Brás


















(postado por Alice Matos)

07 abril 2013

Cristo ressuscitou!



Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa!

Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões...
Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, uma esperança despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia!
Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração.
Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.
Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória é o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).
Amados irmãos e irmãs, Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição, esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem, deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor a Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14).
Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que a força do seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.
E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro.
Paz para o Médio Oriente, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar a estrada da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz no Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência, e sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise?
Paz para a África, cenário ainda de sangrentos conflitos: no Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; e na Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde não poucas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas. Paz no leste da República Democrática do Congo e na República Centro-Africana, onde muitos se veem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo.
Paz para a Ásia, sobretudo na península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação.
Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família – um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século vinte e um. Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.
Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer parte do mundo, a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor»

Mensagem de Páscoa do Papa Francisco

Pintura: Giotto

(postado por Alice Matos)