A nossa Comunidade é formada por cristãos: homens e mulheres, adultos e jovens, de todas as condições sociais que desejam seguir Jesus Cristo mais de perto e trabalhar com Ele na construção do Reino, e reconheceram na CVX a sua particular vocação na Igreja (PG4)
03 março 2015
28 fevereiro 2015
Pede à Quaresma ...
«Seis dias depois, Jesus tomou
consigo a Pedro, Tiago e João, e os levou, sozinhos, para um lugar retirado
sobre uma alta montanha. Ali foi transfigurado diante deles» (Marcos 9, 2).
Pede à Quaresma que te ensine o caminho da
montanha. Para que ouses subir ao lugar do encontro com o Deus da vida e da
história. Na montanha contemplarás o Rosto. E fixarás nele o olhar. E
descobrirás nele o teu rosto. E contemplarás todos os horizontes. Os do teu
coração e todos aqueles onde o humano se espraia em tantos desafios.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho da
montanha. E ousarás descer para que o teu olhar de encantamento incendeie a
vida por onde passas. E sejas sinal de ressurreição.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho do
poço de Sicar. Sentado à beira desse lugar de encontros singulares está Alguém
que te oferecerá água viva. Outrora uma samaritana deixou-se enamorar pelo
olhar e pelo coração livre de um sedento. Também ela não ousou recusar dessa
água que sacia todas as sedes.
Pede
à Quaresma que
te ensine o caminho do poço de Sicar. Para que Deus se sente contigo e te
sacie. E o teu poço-coração possa recriar-se e ser fonte. E alimentar outras
nascentes. Também as que teimam em não jorrar. E saciar todas as sedes e as de
todos os que se cruzam com a borda do teu poço.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho para o
abraço de Deus. O caminho para esse lugar onde a festa nunca termina. O caminho
para esse lugar de onde saíste para viver a vida do sem rumo e do sem sentido.
Porque querias ser livre. Porque querias escutar as mil melodias que ainda não
tinham sido tocadas no teu coração. Em vez disso a vida empurrou-te para um
lugar de desespero onde nem as bolotas eram tuas amigas.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho para o
abraço de Deus. E ousa recomeçar. E ser filho. E vestir o traje da festa que o
Amor prepara para ti a todo o instante.
«Não é preciso que vão embora.
Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mateus 14, 16).
Pede à Quaresma que te ensine o caminho do coração do irmão. Daquele que está debruçado sobre o próprio coração em sangue. O coração daquele que a vida atirou para a beira da estrada e que agora espera um qualquer samaritano. O coração e a vida daquele que este tempo defraudou espera que tu sejas consolo e abrigo. Também abraço.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho do
coração do irmão. E ousa partilhar da tua pobreza. Daquilo que mesmo fazendo-te
falta suavizará a dor de quem já nada tem. De quem já não tem onde morar ou de
que se alimentar.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho de
Jerusalém. A cidade santa espera que os teus passos sigam firmes na senda
d’Aquele que já fez o mesmo caminhar. Arrisca nesse seguimento. Mesmo que a luz
teime em esmorecer dentro de ti. Mesmo que te impeçam de caminhar atrás do
Mestre. A cidade santa espera por ti.
Pede à Quaresma que te ensine o caminho de
Jerusalém. Porque a vida e a felicidade que tanto desejas também passa por lá.
Não ouses voltar as costas à cruz que a cidade te entrega. Segue atrás desse
desejo de vida que nenhuma dor será capaz de enterrar. Pede à Quaresma que te
ensine o caminho de Jerusalém. E deixa-te morrer. A terra que és será nova
quando o milagre do grão de trigo irromper.
Diretor espiritual do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, Braga
26 fevereiro 2015
23 fevereiro 2015
20 fevereiro 2015
18 fevereiro 2015
Quaresma 2015
Tempo de renovação para a
Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um
«tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que
antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo
4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um
de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O
deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar
indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco!
Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos
outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem
as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na
indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que
não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão
mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um
mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.
Quando o povo de Deus se
converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história
continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me
quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.
Dado que a indiferença para
com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos,
temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam
a voz para nos despertar.
A Deus não Lhe é indiferente o
mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o
homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de
Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra.
E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação
da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna
eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si
mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo
n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se
se vir rejeitada, esmagada e ferida.
Por isso, o povo de Deus tem
necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si
mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a
vossa meditação.
1. «Se um membro sofre, com
ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
Com o seu ensinamento e
sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe
esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode
testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus
revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar,
como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de
Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe
lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas
exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode
fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a
haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.
A Quaresma é um tempo propício
para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele.
Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos,
nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de
Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta
frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo,
pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro.
«Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é
honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).
A Igreja é communio
sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é
comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e
todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos
se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação
nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas
tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo
mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as
nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que
todos nos abramos à sua obra de salvação.
2. «Onde está o teu irmão?»
(Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades
Tudo o que se disse a
propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das
paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura
experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que,
simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que
conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou
refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas
que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?
Para receber e fazer
frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras
da Igreja visível em duas direcções.
Em primeiro lugar, unindo-nos
à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se
reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de
Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos
parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu
não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui
sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já
contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a
indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de
Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos
caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu
pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só
homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja:
«Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar
pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).
Também nós participamos dos
méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso
desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado
é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de
coração.
Em segundo lugar, cada
comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a
sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua
natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.
Esta missão é o paciente
testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A
missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela
estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1,
8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo
morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles.
E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a
humanidade inteira.
Amados irmãos e irmãs, como
desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas
paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do
mar da indiferença!
3. «Fortalecei os vossos
corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis
Também como indivíduos temos a
tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens
impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo
toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos
absorver por esta espiral de terror e impotência?
Em primeiro lugar, podemos
rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da
oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se
celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março,
pretende dar expressão a esta necessidade da oração.
Em segundo lugar, podemos
levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a
quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A
Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de
um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade
que temos em comum.
E, em terceiro lugar, o
sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do
irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos
irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das
nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem
de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos
leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.
Para superar a indiferença e
as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem
este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos
convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração
misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso
precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um
coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que
conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as
suas limitações e se gasta pelo outro.
Por isso, amados irmãos e
irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum
secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das
Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e
misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem
cai na vertigem da globalização da indiferença.
Com estes votos, asseguro a
minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram,
frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que
rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Vaticano, Festa de São
Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.
Francisco
21 janeiro 2015
Rezar com Santo Inácio, 21 de fevereiro
Realiza-se no próximo dia 21 de fevereiro uma proposta da Paróquia de São Pedro e da Comunidade de Vida Cristã CVX - BI.
Convidam-se todos!
Um dia para ir descobrindo como Santo Inácio nos propõe conhecer,
aprofundar e encontrarmo-nos com Deus.
Eterno Senhor de todas as coisas
Sinto que o
teu olhar repousa sobre mim,
sei que a tua Mãe está aqui ao lado e que à tua
volta há uma multidão de homens e mulheres, de mártires e de santos.
Com a tua
ajuda queria oferecer-me a Ti.
É a minha mais firme determinação e desejo, se Tu
me aceitas,
proceder neste mundo como Tu procedeste.
Sei que viveste numa
pequena aldeia, sem comodidades, sem educação especial, sei que recusaste o
poder político, sei o muito que sofreste. As autoridades recusaram-Te, os amigos
abandonaram-Te.
Mas para mim é algo maravilhoso que me convides a seguir-Te de
perto.
Oração retirada dos Exercícios Espirituais [EE 98]
(e actualização por Joseph Tetlow sj)
28 novembro 2014
Encontro de Advento, Partilha
“Os Demónios andam à
solta… Discernimento precisa-se!
No fim-de-semana de 22 e 23 de
Novembro a CVX-BI levou a efeito um Encontro de Advento sob o tema: “Os
Demónios andam à solta… Discernimento precisa-se!”.
A orientação esteve a cargo de
Alzira Fernandes e as atividades decorreram nas instalações do Centro
Apostólico de Nossa Senhora das Dores, no Paúl.
Procurando, tanto quanto
possível, fazer uma síntese do que foi este encontro, diria que Santo Inácio
descobriu a metodologia do conhecimento da pessoa humana e que através do
discernimento leva-nos ao encontro de um modo de estar na vida em plenitude.
Inácio reconheceu os dois rostos
do coração da pessoa humana:
A ferida e o poço, ou manancial - Todos nós temos uma ferida
profunda que trazemos desde o ventre materno. A
ferida gera medos e estes tornam-se muros de defesa.
Por sua vez, as compulsões (reações
e respostas mecânicas, inconscientes e desproporcionadas) têm sintomas.
São as feridas e as compulsões
que nos impedem de conhecer as nossas próprias potencialidades e geram em nós
uma imagem distorcida de Deus.
Raras vezes temos conhecimento do
que é mais valioso em nós e mais autêntico. Precisamos de limpar a ferida, mas
limpá-la a partir do próprio manancial que temos dentro, este Amor que habita
em nós. “Se eu deixasse Deus ser Deus na minha vida, sem Lhe impor os meus “ses”,
o que é que aconteceria?”
O manancial toca duas realidades:
a consciência e a água viva. A água não serve para si mesma. Esse potencial que
trazemos em nós torna-nos canal para que outros possam beber. Daí a importância
do nosso compromisso com o crescimento pessoal contínuo.
Depois foram abordados os temas:
o discernimento dos espíritos, os demónios da oração e os demónios do
apostolado.
O discernimento dos espíritos - O discernimento “não é tanto
conhecer a vontade de Deus, mas sobretudo saber situar-se, saber separar,
fazendo a vontade de Deus. … Deus vai-nos criando. O discernimento é caminho
para perceber os golpes do atuar criador de Deus no nosso interior, e através
do que faz, reconhecer a Sua presença. ... Que experimento? (…consolação –
desolação); onde me leva? (…tudo o que me conduz ao Senhor e ao seu Reino ou
…tudo o que me afasta do Senhor e do seu Reino)”.
Os demónios da oração – Dos
muitos exemplos apresentados destaco:
Despersonalizar a oração: sempre que
rezamos a um Deus impessoal, que está muito longe. Na oração ponho-me em
contacto com uma Pessoa. Estou em presença.
Não se entregar profundamente a Deus:
a inteligência, a memória, os afetos, os sentimentos, a sensibilidade. Por isso
não nos transformamos.
Os demónios do apostolado – O apostolado não é uma profissão nem
uma atividade. A título de exemplo:
O messianismo: induz o apóstolo a
tornar-se o centro de toda a atividade pastoral como se ele fosse o piloto e
Jesus o co-piloto.
Perder o sentido das pessoas: os
aspetos administrativos, organizativos e de planificação e supervisão convertem
o apóstolo num executivo da pastoral, ficando sem espaço psicológico para se
dedicar às pessoas.
Na manhã de domingo foi-nos
apresentado João Batista como figura de
discernimento e de Advento. João é a transparência do ser. Aquele que grita
no deserto.
Devemos fazer a nós próprios a
pergunta “quem és tu?” porquanto cada um de nós é um mistério para si e para o
outro.
Todos trazemos um grito dentro de
nós. E este grito significa que o meu ser tem necessidade do outro, de amar e
de ser amado. Por isso, tal como João, o nosso grito mais profundo é dito no
deserto, despidos de tudo o que são seguranças, de miragens, e em que nos
abrimos a Deus.
João aponta-nos ainda a missão. E
o fim da missão é que as pessoas que me estão confiadas possam chegar a Cristo.
Sob o tema Discernimento comunitário foram indicadas as 4 etapas a ser
seguidas.
Para finalizar foi ainda abordado
o tema o discernimento – uma opção pela
vida. Discernir é acertar o passo com Deus, que nos leva. É uma decisão
tomada com Cristo.
Para uma melhor compreensão, o
discernimento cristão foi apresentado como sendo a mesa do banquete: uma mesa
de quatro pernas em que todas são importantes para o seu equilíbrio. São elas:
A alegria da misericórdia (Lc 6, 36) – a misericórdia como uma
atitude de coração, como um modo de ser.
As obras de justiça solidária (Mt 25, 31ss) – verificar se algo que
experimento ou penso me leva a ser solidário com a pessoa carenciada.
A incompreensão e a perseguição (Mc 8, 34) – a cruz pelo facto de
ser fiel ao anúncio e à construção do Reino.
O amor de si mesmo – negar tudo o que me impede de” viver a vida em
abundância”, ou seja, todas as compulsividades, as reações desproporcionadas, a
culpabilidade. Viver em abertura à misericórdia do Pai para que a mudança seja
possível.
Concluindo, e como se pode depreender,
tratou-se de um encontro bastante denso e muito rico de conteúdo. Todos quantos
tivemos a graça de participar ficámos espiritualmente mais ricos e armados para
bem viver este tempo de Advento, não esquecendo, como tão bem referiu a Alzira,
que “A missão de Cristo começa onde eu estou!”.
03 novembro 2014
Encontro de Advento
Os demónios andam à solta -Discernimento precisa-se!
Programa /Horário
Dia 22 de Novembro
9.00h: Acolhimento
9.30h: Tema - O processo pessoal: Os dois rostos do coração da pessoa humana I
10.40h: Pausa
11.00h: Oração pessoal
11.45h: Ressonâncias em plenário
12.15h: Tema - O processo pessoal: Os dois rostos do coração da pessoa humana II
13.00h: Almoço
14.15h: Tema - O discernimento dos espíritos - Introdução ao trabalho de grupo
14.30h: Trabalho de grupo
15.30h: Ressonâncias em plenário
16.00h: Tema – Os demónios da oração
17.00h: Pausa
17.20h: Tema - Os demónios do Apostolado
18.00h: Eucaristia
Dia 23 de Novembro
9.00h: Acolhimento
9.30h: Uma figura de discernimento e advento: João Batista
Pontos para a oração pessoal
10.00h: Oração pessoal
10.45h: Pausa
11.00h: Tema - Discernimento comunitário – Introdução ao trabalho de grupo
Trabalho de grupo
11.45h: Plenário
12.15h: Tema - O discernimento: uma opção pela vida.
13.15h: Almoço - Encerramento
01 novembro 2014
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