(…) aprender quem somos, o que somos, o
que fazemos (…) todos
nos devemos sentir co-responsáveis
No pós Assembleia Nacional, CVXP 2026,
encontro-me ainda a deixar ecoar uma experiência que foi para mim muito nova,
muito rica em conhecimento, em formação, em partilha, em discernimento, em
pertença…
Partindo do lema “Um coração aberto e
disponível à novidade de Deus” fui, com todos os outros, convidada a entrar
no “tabernáculo”, e a experienciar e aprender que, como o Senhor guia
individualmente, também guia em comum um grupo de pessoas, e que o grupo é um
lugar privilegiado onde o Espírito se manifesta, sempre em ordem ao
discernimento comunitário.
O exercício do ESDAC (exercícios espirituais
para um discernimento apostólico em comum), treinados nesses dias, com pontos
de oração individual e comunitária, permitiu-me experienciar um sentimento de
pertença a uma comunidade orante. Ali, naqueles dias, entre 30 de abril e 3 de
maio, em Fátima, tive a oportunidade de ser convidada para a mesa, ao som de
uma música que despertava a vontade de estar, de aprender quem somos, o que
somos, o que fazemos, ao nível mundial, europeu, nacional, regional, e na
pequena comunidade CVX de cada grupo. Tive também conhecimento da criação das novas
equipas apostólicas, e do trabalho que todas têm feito ao longo destes anos,
dos custos, da gestão difícil dos recursos…Ver os rostos, conhecer os seus
nomes, fez-me perceber como a generosidade faz milagres, e de como uns pães e
alguns peixes podem alimentar tanta gente e fazer a diferença!
Conhecer o trabalho, como se trabalha, os
objetivos que se pretendem alcançar, o que já se conseguiu fazer e o que se
pretende fazer, saber ainda que existem comunidades CVX onde amar e servir o
Senhor implica risco e coragem, aumentou a minha compreensão de que todos
nos devemos sentir co-responsáveis
nesta CVX que antes de ser local é mundial.
Durante os dias da Assembleia Nacional
fui-me deixando conduzir com todos os outros, por dias repletos de significado
onde, entre os momentos de reflexão e discernimento, foram surgindo novidades
que manifestavam a preocupação em cuidar, em animar, em despertar. Como
exemplos recordo a entrega de um nome, a cada pessoa presente, para
rezar durante a AN, sabendo também que alguém rezava por si nesses dias; o
gesto simbólico de nos ligarmos uns aos outros através de uma corda,
durante a eucaristia, com o cuidado de ninguém ficar de fora; o lindo cenário
pintado, representando a parábola do semeador, onde cada um deixou cair a
“semente”, nos vários caminhos desenhados, sentimentos agradáveis e
desagradáveis que habitam o nosso ser… o “bombom” entregue a todas as
mulheres que são filhas e/ou mães, nesse dia em que se celebrava essa data,
enfim…estes foram apenas alguns dos muitos
gestos que foram pensados, sonhados e oferecidos a todos nós presentes.
Depois de tudo o que já disse, e sabendo que
já alonguei e excedi o “curto e enxuto (!)” (expressões várias vezes usadas
para pedir simplicidade e síntese nas intervenções individuais durante esses
dias), destaco a alegria do encontro, a harmonia e o cuidado de
tantos, e ao mesmo tempo de tão poucos, para proporcionarem a todos, o
acolhimento, o conforto (do corpo e da alma), e ainda fazerem memória futura de
tudo o que foi vivido.
Levo destes dias a oportunidade de conhecer
e me sentir pertença de uma comunidade que se quer orante, confiante e
entusiasmada, para que, como os caminheiros de Emaús, regressemos a Jerusalém animados
pelo Senhor.
Bem-haja
Helena Mendonça
Grão de Mostarda
