(postado por Alice Matos)
A nossa Comunidade é formada por cristãos: homens e mulheres, adultos e jovens, de todas as condições sociais que desejam seguir Jesus Cristo mais de perto e trabalhar com Ele na construção do Reino, e reconheceram na CVX a sua particular vocação na Igreja (PG4)
23 março 2013
17 março 2013
Quaresma - a mulher adúltera e os seus acusadores
S.
João (7,53-8,11) narra-nos o bem conhecido encontro de Jesus com a mulher adúltera e os seus acusadores. De tão sugestiva,
sigo de perto a leitura que S. Gaburro, faz deste relato, interessado,
como ele, em colher o timbre e a modelação da voz de Jesus como lugar de
revelação da verdade de Deus e da nossa própria existência. Aqui, o conteúdo
não seria acolhido sem a forma, neste caso, sem o modo de dizer e a sonoridade,
precisamente porque esta forma é já o conteúdo. A graça que salva assume o
timbre de uma voz que toca afectivamente, a eloquência de um gesto que
justifica a vida, a autenticidade de uma presença que restitui cada um à
verdade do que é. E, aí, em verdade, está Deus que salva-guarda e regenera a
vida.
Jesus
está sentado a ensinar. A sua voz en-sina, assinala precisamente porque imprime
um sinal. Mas eis que Jesus se cala e, em silêncio, deixa espaço para que
outras palavras se possam dizer e outras vozes se façam ouvir. Porém, as que
chegam agora são de acusação e de julgamento. São ditas sobre uma mulher
apanhada em flagrante adultério, exposta na impúdica praça de todos os olhares.
Num triste espectáculo público, circundam-na inúmeros dedos apontados, num
rebuliço acusatório insuportável. «De um lado, o vociferar agressivo, do outro,
o silêncio de Jesus. As vozes que se levantam trazem a ironia (“Mestre”), o
veredicto já dado (“Moisés mandou-nos lapidar mulheres como esta”) e a
armadilha (“Tu, o que dizes?”)». A esta provocação, «Jesus responde em silêncio
com o gesto de se curvar e de marcar a terra com o dedo» . Eis, então,
que, vinda do seio do silêncio, sensível e reflexivo, a voz de Jesus re-nasce.
«O burburinho das vozes encontra atento o ouvido de Jesus, mas, sobretudo, o
seu sentir, o horizonte com o qual ele está diante da vida», pre-sentindo o que
cada um sente. «Os tons, os timbres, a raiva, a vontade de juízo sumário
encontram hospitalidade e pro-vocam a sua voz». Então, levantando a cabeça e
rompendo o silêncio, Jesus diz: «O impecável de entre vós seja o primeiro a
atirar sobre ela uma pedra» (v.7). É «uma voz que dis-trai, no sentido em que,
com força, faz sair os seus interlocutores do ciclo vicioso» de um esquema
exclusivamente processual e jurídico. Poderia uma vida humana caber nesse
procedimento sumário? Poderia a verdade de Deus e a sua justiça esgotar-se
nessa ânsia de punição? Que satisfação seria dada ao criador a aniquilação tão
violenta de uma sua criatura? «Com uma delicadeza inaudita, a voz passa pelas
fendas da consciência». Con-vocado, Jesus con-voca. Pro-vocado, Jesus pro-voca.
Da «selva das vociferações mortíferas», nasce a «voz que quer a vida». Dada a
palavra ao excesso de sentido que faltava acolher, Jesus curva-se, de novo.
Quanta eloquência podemos colher neste gesto silencioso de se curvar, depois de
dizer palavras tão elementares. Capaz de recordar o essencial e, assim, de
interpelar, Jesus faz regressar o silêncio. Calam-se as vozes venenosas e
mortais. Baixam-se os dedos da acusação legal. Caem por terra as pedras prontas
a ferir, até à morte, em nome de um Deus que não se liga de afecto. A
autoridade e a modelação da voz parecem bastar para que Jesus revele quem é, de
onde vem e para onde aponta, revelando, ao mesmo tempo, a ambiguidade violenta
das vozes acusadoras e da sua religião, uma religião que não liga, só separa.
Tudo foi atravessado e ferido – o ouvido, as mãos, a consciência, o coração, o
passado, o presente, o futuro. Cada um é restituído a si mesmo, como se
ressoasse, novamente, essa pergunta das origens: «Onde estás?» (Gn 3,9). Um a um, partem de regresso à
casa da própria realidade – seja essa grande ou miserável, graciosa ou
desgraçada, é sempre daí que deverá partir quem desejar avançar. Vão, agora, em
silêncio, para que o sentido que ecoa na voz escutada possa ressoar no íntimo
da alma e, assim, faça nascer de novo.
Entretanto,
Jesus ficou sozinho, com a mulher. Colhendo a densidade do momento, disse tão
bem o poeta D. Faria. «Não turbam a água dos meus olhos/ As pedras que me
atiram sobre o corpo// As tuas mãos vazias este muro/ Branco me doem muito
mais» . A verdade de um e de outro encontram-se face a face. Deus
ali tão perto, na voz e no gesto deste homem de Nazaré. Quadro extraordinário e
comovente. Eis a forma do encontro entre o Filho eterno e a história ambígua de
uma filha. Eis a força da graça que salva a vida. Esta vida. Esta mulher.
Porque Deus não Se dá em abstracto, por uma humanidade indistinta, sem rostos e
as suas rugas nem biografias e as suas ambiguidades. «Mulher, onde estão?
Ninguém te condenou?» (v.10). «Ninguém, Senhor». «Também eu não te condeno».
«Vai». «Daqui em diante, não voltes a pecar» (v.11). «A voz de Jesus tem o
poder de restituir à mulher a sua própria voz, aquela que os acusadores lhe
tinham roubado» . Jesus dá a palavra, cede o lugar, abre espaço.
«Mulher!». A origem é recordada como promessa. O horizonte é reaberto como
possibilidade de feliz reconhecimento. À vida é restituída a sua bênção
originária. Pela voz e pelo silêncio, pelos gestos elementares e pela força da
presença, tão íntegra, tão humana, «Jesus atravessa esta página como um
fenómeno pneumático, alimento do Espírito criador, fenómeno musical que
liberta, num único som, notas divinas e notas humanas» . Na força e
na delicadeza deste encontro humano, pressentimos um Deus que crê em cada homem
e em cada mulher, que se compraz e se alegra com o seu nascimento e o seu
contínuo recomeço – Deus em contínuo acto de geração Ele que vive eternamente dando a
vida. Salvaguarda o desejo visceral de confiança que se dá e se recebe no
espaço vital do mútuo reconhecimento. Reconhecer-se
reconhecido num encontro humanamente conseguido diz o mistério de Deus
e o segredo mais intimo que mantém em vida cada vida que a este mundo venha e a
Deus se dirija.
P. José Frazão Correia, sj
A
dádiva de si narrada em Jesus.
Revelação de Deus e plenitude humana
Revelação de Deus e plenitude humana
(postado por Alice Matos)
14 março 2013
26 fevereiro 2013
16 fevereiro 2013
Quaresma - Começou a jornada
Começou a jornada...
uma viagem de quarenta dias ...
Para trás ficaram os preparativos para uma longa caminhada,
o que é preciso levar, mas principalmente o que é preciso deixar...
Porque uma caminhada não se faz carregado,
uma viagem de quarenta dias ...
Para trás ficaram os preparativos para uma longa caminhada,
o que é preciso levar, mas principalmente o que é preciso deixar...
Porque uma caminhada não se faz carregado,
muito menos quando se vai para o território da luta.
Já passou o tempo da azáfama, dos sonhos esperançados pela chegada da Hora
e o que outrora parecia distante, está a fazer-se agora.
É tempo de Parar.
A Hora está próxima...
Hoje é o primeiro dia,
a ansiedade, o entusiasmo e o Espírito encarregaram-se de não nos deixar dormir.
Esboçamos o primeiro Agradecimento
- já com os pés no caminho -
... este tempo vai ser de fazer Memória Agradecida da História do que nos trouxe até aqui.
Pela frente temos um Caminho de quarenta dias cheios de sinais,
- que requerem de nós um olhar atento e uma vontade disponível -
e também de preparativos…
Effatha! Abre-te!
Já passou o tempo da azáfama, dos sonhos esperançados pela chegada da Hora
e o que outrora parecia distante, está a fazer-se agora.
É tempo de Parar.
A Hora está próxima...
Hoje é o primeiro dia,
a ansiedade, o entusiasmo e o Espírito encarregaram-se de não nos deixar dormir.
Esboçamos o primeiro Agradecimento
- já com os pés no caminho -
... este tempo vai ser de fazer Memória Agradecida da História do que nos trouxe até aqui.
Pela frente temos um Caminho de quarenta dias cheios de sinais,
- que requerem de nós um olhar atento e uma vontade disponível -
e também de preparativos…
Effatha! Abre-te!
É tempo de abrir os olhos, os
ouvidos, a mente, a boca...
e começar a experimentar e saborear tudo de maneira nova,
como quem se prepara para Nascer de novo...
...e fazer Caminho que nos levará ao Amor Primeiro,
e começar a experimentar e saborear tudo de maneira nova,
como quem se prepara para Nascer de novo...
...e fazer Caminho que nos levará ao Amor Primeiro,
até
à Páscoa.
Leve adaptação
(postado por Alice Matos)
11 janeiro 2013
27 dezembro 2012
Natal
O
Filho de Deus vem ao mundo e não encontra abrigo, nos palácios e nas
hospedarias do seu tempo, nem sequer tem a sorte de nascer em casa própria ou
alugada! Na verdade, só por amor, o Deus Altíssimo, podia sujeitar-se ao
desconforto de um sem-abrigo! Mas é isto mesmo, a sua nua e crua fragilidade
humana, que servirá de sinal, aos pastores, ao grupo social dos «sem-abrigo»
daquela época: “encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e
deitado numa manjedoura” (Lc.2,12). Ele não se impõe; jamais entra à força,
mas, como uma criança, pede para entrar, ser ouvido, acolhido, cuidado com
amor!
(postado por Alice Matos)
15 dezembro 2012
ADVENTO UM CAMINHO A PREPARAR…
A arte é a melhor forma de comunicar a fé
Marko Rupni
É tempo de esperar.
Outra vez.
A cada ano que passa, há algo que muda. Algo que se transforma.
Fico muitas vezes sem saber quem é que nesta história espera por quem?
Quem é que está grávido? Quem é que passa pelas dores de parto? Quem é que é chamado a uma nova vida?
Ano após ano sou arrasado por esta história de Amor entre Deus e o seu povo. Entre Deus e eu.
Nunca vou chegar à altura deste Amor.
Mas, Advento após a Advento, vou tornando a manjedoura que é o meu coração, um pouco mais quente e verdadeira, para O receber.
Que este Natal a que todos somos convidados não cesse de acontecer no nosso coração.
Outra vez.
A cada ano que passa, há algo que muda. Algo que se transforma.
Fico muitas vezes sem saber quem é que nesta história espera por quem?
Quem é que está grávido? Quem é que passa pelas dores de parto? Quem é que é chamado a uma nova vida?
Ano após ano sou arrasado por esta história de Amor entre Deus e o seu povo. Entre Deus e eu.
Nunca vou chegar à altura deste Amor.
Mas, Advento após a Advento, vou tornando a manjedoura que é o meu coração, um pouco mais quente e verdadeira, para O receber.
Que este Natal a que todos somos convidados não cesse de acontecer no nosso coração.
João de Lima
www.essejota.net
(postado por Alice Matos)
15 novembro 2012
05 novembro 2012
Falando do passeio CVX
Passeio CVX 2012
Nos dias 27 e 28 de outubro de 2012 realizou-se mais
um Passeio da CVX-BI, desta feita com destino a terras do Minho: Guimarães e
Braga. Entre membros CVX, familiares e amigos éramos um grupo de 23 pessoas que
aceitámos o convite da CVX-BI para um momento de passeio, descoberta e
convívio, acompanhados pelo nosso assistente regional, Pe. Hermínio Vitorino,
sj.
A primeira paragem foi Guimarães, capital europeia
da cultura, onde visitámos a Penha. Ali perto encontra-se a Casa de Sicar, um
espaço de acolhimento, interioridade e criatividade pertencente a uma Fundação,
criado no seio da Igreja, vocacionado para acolher pessoas que queiram cuidar
da vida espiritual, procurando o encontro consigo próprias e com Deus. Nesse
espaço, o nosso grupo foi amavelmente acolhido pela Alzira Fernandes, que nos
abriu as portas da Casa de Sicar, onde para além de podermos partilhar a
merenda, pudemos disfrutar de um belo local onde sobressai o valor da
simplicidade e do serviço ao próximo.
Ainda nessa tarde fomos até ao centro da cidade de
Guimarães onde fizemos um pequeno passeio pela zona histórica. Passámos em
Braga, onde se seguiu uma visita guiada à capela “Árvore da Vida”, no Seminário
Conciliar de Braga. Esta capela foi construída em 2010, toda em madeira, tendo
sido recentemente reconhecida com o prémio “Edifício do Ano 2011”, por um site
de arquitetura (ArchDaily). O Pe. Joaquim Félix, vice-reitor deste seminário e
também um dos principais responsáveis da conceção da capela, levou-nos a
conhecê-la, explicando-nos, com sabedoria, que ali cada detalhe foi pensado e
inspirado na Bíblia, num permanente diálogo entre a Arte e a Teologia.
A noite começava a cair e rumámos até à Casa da
Torre, no Soutelo, onde nos aguardavam quatro elementos CVX de Braga (nomeadamente
do grupo Krysis) que nos acolheram com entusiasmo e com quem nos sentimos em “família
alargada”. Jantámos e ensaiámos um serão de cantoria e
boa disposição. À semelhança do que aconteceu no ano passado, no Passeio CVX a
Évora, também desta vez se procurou promover o intercâmbio entre as duas
regiões CVX.
Na manhã solarenga de Domingo fomos visitar o
Mosteiro de São Martinho de Tibães, onde participámos na Eucaristia Dominical.
Este Mosteiro foi fundado em finais do século XI, tendo sido ocupado no século
XII pelos Beneditinos, vindo a tornar-se a Casa Mãe daquela ordem para Portugal
e Brasil. Com a extinção das ordens religiosas masculinas foi parcialmente
vendido em hasta pública tendo sido readquirido em 1986 pelo Estado Português
que procedeu recentemente à sua recuperação.
Seguimos para Braga, onde almoçámos e passeámos
pelas principais ruas da cidade (Jardins de Santa Bárbara, Sé Catedral), na
companhia do Pe. José Frazão, sj que veio, simpaticamente, ao nosso encontro.
Chegava a hora da despedida e da partida, depois de
um fim de semana bem passado, em boa companhia, ficando aqui o nosso bem-haja a
todos quantos proporcionaram este momento de passeio, descoberta, convívio e
acolhimento.
Ana Teresa Brás
(postado por Alice Matos)
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