A nossa Comunidade é formada por cristãos: homens e mulheres, adultos e jovens, de todas as condições sociais que desejam seguir Jesus Cristo mais de perto e trabalhar com Ele na construção do Reino, e reconheceram na CVX a sua particular vocação na Igreja (PG4)
23 outubro 2012
30 setembro 2012
Reflexão
Sonata de Outono
E o outono vai-se instalando. A princípio nem parece uma estação. É
quase um estado de alma, este tempo assim um pouco vago, em declive delicado,
com a chuva ainda rala (mesmo se em alguns dias chega por aí aos tropeções) e o
vento que parece um miúdo a aprender a assobiar. Olhamos com íntima estranheza
para a brevidade destes primeiros dias, dos quais já não nos lembrávamos. Nas
árvores, as folhas tremeluzem, indecisas e iluminadas, transmutadas em
incríveis tonalidades. Os frutos têm perfume e sabores densos, tão diferentes
daqueles que se saboreiam no verão.
Lembro-me de um poema de Miguel Torga, que gosto de pôr a tocar como
uma pequena sonata de outono:
O que é bonito neste mundo e anima,
é ver que na vindima
de cada sonho
fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura que se não prova
se transfigura
numa doçura
muito mais pura
e muito mais nova
Neste arranque de outono, deixo-me demorar nas palavras: "a
doçura que se não prova". Tendo o privilégio de acompanhar a vida de
muitas pessoas, sei que esta não é uma questão que se possa iludir. Há um
momento na nossa vida, ou há momentos nela, em que fazendo um balanço, sentimos
que ficámos aquém dos nossos próprios sonhos. Há dias e estações da nossa vida
em que nos sentimos mendigos de nós mesmos. Esperávamos isto e aquilo que não
aconteceu.
Desejávamos uma plenitude, uma fulgurância, um clarão e o que temos é
uma estreita e baça normalidade. Sentimo-nos, sem saber bem como, a viver sob
tetos baixos. Há uma espécie de doçura prometida que nos escapa, que fica
adiada, que começamos talvez a julgar que já não será para nós, tão inacessível
nos assoma. Por vezes, este sentimento vem aos 70 ou aos 40 anos. Mas também
surge aos 20 ou aos 30. Recordo aquela frase terrivelmente verdadeira de um
romance autobiográfico de Marguerite Duras: «Muito cedo na minha vida foi tarde
de mais». Esta difusa melancolia, este sentir que a luz que interiormente nos
alumia se tornou fosca e sem alcance são experiências muito alargadas. Por isso
se diz que não dependem propriamente da idade os outonos interiores que
atravessamos.
Existem é modos diferentes de encarar essa experiência, que, no fundo,
nos é tão intrínseca e comum. Podemos desistir simplesmente de esperar, e
largamos a vida no parque de estacionamento do pragmatismo mais raso. Podemos
trocar a doçura que não conseguimos, por um tipo de acidez quotidiana, uma
desconfiança sistemática a que nada nem ninguém escapam, e que se vai
espalhando, entre a ironia e o desalento, contaminando tudo. Ou podemos, e esse
é o olhar mais necessário, perceber que «a doçura que se não prova/se
transfigura numa doçura/muito mais pura/e muito mais nova».
O outono não é, portanto, o fim da história. Se o soubermos agarrar, é
sim um ponto de partida avançado, que nos permite essa coisa urgente que é a
"transfiguração" da vida, através de um paciente e esperançoso
trabalho interior.
José Tolentino Mendonça
Foto: Serra da Estrela
24 setembro 2012
Inicio do ano CVX
A Comunidade de Vida Cristã da Beira
Interior reuniu-se no passado dia 15 de Setembro, na Igreja do Sagrado Coração
de Jesus, para dar início a mais um ano CVX.
Todos os grupos marcaram presença neste
“recomeço de caminhada” que serviu para conhecer e discutir o Plano de
Actividades que a Equipa Regional preparou para o ano de 2012/2013. Em união
com toda a Igreja, a CVX-BI deseja que este ano seja, para todos e cada um, um
ANO de renovação, fortalecimento e maturidade DA FÉ!
Seguiu-se a Eucaristia, que foi celebrada
na Capela de Santo Inácio de Loiola, sob o olhar terno de Nossa Senhora e com a
participação de todos (até dos mais pequeninos…).
Reforçados no sentido de comunidade e
animados pelo Pe. Hermínio Vitorino a reflectir, neste início de ano, sobre
quem é realmente Jesus Cristo para nós... encerrámos a tarde, com um pequeno e
delicioso lanche.
(postado por Alice Matos)
03 junho 2012
As Três Pessoas Divinas, contemplando toda a Humanidade...
As
Três Pessoas Divinas, contemplando toda a Humanidade, em tantas divisões
pecaminosas, decidem dar-se completamente a todos os homens e mulheres e
libertá-los de todas as escravidões. Por amor, o Verbo encarnou e nasceu de
Maria, a Virgem pobre de Nazaré. Inserido entre os pobres e partilhando com
eles a sua condição, Jesus convida-nos a todos a entregarmo-nos continuamente a
Deus e a instaurar a unidade no seio da família humana. Este dom de Deus e a
nossa resposta continuam, no presente, sob a acção do Espírito Santo em todas
as nossas circunstâncias particulares. Por isso, nós, membros da Comunidade de
Vida Cristã, escrevemos estes Princípios Gerais para nos ajudarem a fazer
nossas as opções de Jesus Cristo e a participar por Ele, com Ele e n’Ele, nesta
iniciativa amorosa que expressa a fidelidade de Deus prometida para sempre.
Princípios
Gerais a Cvx – Preâmbulo 1
Oração à Santíssima Trindade
Ó Trindade
sobrenatural
Divina e Amável como ninguém
protetora da divina sapiência dos cristãos.
Conduz-nos
para lá da luz, sim
mas também para lá da nossa ignorância
até ao mais alto cimo
das místicas Escrituras,
lá onde os
mistérios simples,
absolutos e incorruptíveis da teologia,
se revelam na sombra
mais que luminosa
do silêncio.
No silêncio
se aprendem os segredos desta sombra
da qual bem pouco é dizer que brilha
qual luz deslumbrante
no seio da extrema obscuridade.
Mesmo se
permanece
intocável nessa perfeição que não vemos
enche dos esplendores mais belos da beleza
as inteligências que sabem fechar os olhos.
Esta é a
minha oração.
Dionísio, o Areopagita (atrib.)
Fonte Pastoral da Cultura
(postado por Alice Matos)
31 maio 2012
Esperança: recusa do discurso fácil - Hermínio Rico, sj
Pede-se um discurso de esperança.
Pede-se em especial à Igreja. Fica cada cristão com o desafio de ajudar a dar
sentido às dificuldades de todos e de aumentar o ânimo colectivo. A fé cristã
tem recursos para transmitir essa esperança, acredita-se. E é verdade. Mas é
preciso ter cuidado para não cair rapidamente num discurso fácil, nas
aparências muito cheio de fé, mas de facto vazio e sem poder mobilizador,
podendo até correr o risco de ser alienante. Um discurso muito pouco cristão,
portanto. Oferta muito fraca seria.
A esperança cristã não é uma
simples crença que tudo vai correr bem, roçando a superstição numa enigmática
sorte que, vinda do céu, acabará por nos cair nas mãos. Ou um mero exercício de
credulidade que passivamente assegura que Deus nos virá resolver todas as
dificuldades. A esperança cristã não é uma aposta na probabilidade de um
milagre exterior. É, isso sim, chamamento a uma abertura confiante à
responsabilidade. A esperança não promete mudar nada por fora, mas muda
radicalmente a atitude da pessoa por dentro, no modo como encara os desafios
exteriores e lhes responde. A esperança cristã não altera a realidade em que a
pessoa vive, mas transforma profundamente a forma como a pessoa vive essa
realidade.
O fundamento da esperança cristã é
o poder da presença activa de Deus. Mas onde se mostra esse poder? A esperança
cristã não assenta numa convicção que Deus nos vai tornar as coisas mais
fáceis. Antes, acredita – e ao acreditar vai experimentando – que Deus nos dá a
força para arrostar mesmo com as coisas mais difíceis. Aposta que, na abertura
à relação com Ele, encontraremos confiança e resiliência para não temer e nunca
desistir. E isso vai-nos dando a certeza que nada nos destruirá, porque o poder
que nos sustenta é sempre mais forte.
A esperança salva-nos, antes de
mais, da paralisia do medo e da lamentação, da tentação da fuga e da descrença
nas nossas próprias capacidades. Ao defender-nos do cepticismo, no entanto, não
nos desviar o olhar da realidade, em toda a sua dura e crua verdade. Sem nos
dispensar dum realismo pragmático, a esperança chama à responsabilidade, ao
empenho, e mesmo ao sacrifício, e exige iniciativa, criatividade, acção.
A acção que se nos impõe pode
pedir-nos despojamento, retorno a um estilo de vida mais austero. Esperança não
é fazer-nos crer que não perderemos nada, mas assegurarmo-nos que, mesmo que
tenhamos de prescindir de muito do que consideramos imprescindível, há vida e
gosto por ela bem para lá dessa privação.
A esperança não esconde a crise nem
a pinta de outras cores. Mas não nos permite não fazer nada, antes nos impele a
agir, mesmo na fragilidade da falta de soluções garantidas. Fragilidade não é
impotência, é apenas convite a mover-se por um poder que não possuímos
completamente. Esse poder, se nos deixamos conduzir por ele, logo nos dirá que,
mesmo na fragilidade, somos mais fortes que as crises e acordará em nós
capacidades desconhecidas. Esse é o poder da esperança: desloca a nossa
confiança para um fundamento muito mais sólido do que o nosso ilusório domínio
sobre todas as coisas.
A esperança cristã é uma esperança
pascal, de passagem de morte a ressurreição. Passagem é começar num lado e
chegar até ao outro, mas é preciso percorrer todos os passos intermédios. A
passagem pascal não inventa atalhos nem se desvia da dureza do caminho, mas
encontra força para ir até ao fim, provando que a vida movida pelo amor é mais
forte do que cada uma a uma das ameaças que a confrontam. A esperança pascal não
anula as tribulações, mas dá força para as superar. Afirma-nos que somos
capazes. E aponta o triunfo de Jesus ressuscitado como fundamento e garantia.
A esperança põe-nos em atitude de
passagem. Mas só há passagem se não recuamos nem paramos. Para a frente. Vamos!
23.10.2011
http://www.vozdaverdade.org
(postado por Alice Matos)
29 maio 2012
10 abril 2012
Ressuscitou! O túmulo está vazio....
«No
primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda
escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro
e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado
do túmulo e não sabemos onde o puseram.» Pedro saiu com o outro discípulo e
foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu
mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar
e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto,
chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao
ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera
em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de
linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o
outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer,
pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia
ressuscitar dos mortos. A seguir, os discípulos regressaram a casa.» Jo 20,1-10
Ressuscitou! Não
está aqui! Ide dizer aos irmãos que ele os encontrará na Galileia como
tinha dito.
É este o grande milagre… Jesus Cristo ressuscitou!
Santo Inácio no início de sua oração, rezava assim: “Senhor, que todas as
minhas intenções, ações e operações sejam ordenadas puramente para o serviço e
louvor de sua divina Majestade” (EE 46 ).
Pedir o que
quero: que a ressurreição de Jesus seja uma
verdade-viva e que
a alegria e a força do Ressuscitado me impulsionem
para os irmãos como impulsionaram Maria Madalena e os discípulos...
(postado por Alice Matos)
05 abril 2012
Em tudo amar...
Jesus, ao lavar os pés de seus
amigos revela-nos uma nova forma de amor e diz-nos que toda sua vida se resume em “amar e servir ”. Um amor que não se cansa (São João da Cruz)
Pintura: Lava-pés Giovanni Agostino da Lodi
(postado por Alice Matos)
04 março 2012
Transfiguração
entremos mais dentro da espessura,
façamos uma tenda, uma pausa breve
que antecipe a Páscoa
e nos esclareça
acerca do segredo e da glória de Deus inacessível
na face do Cristo, ícone de Deus
façamos uma tenda, uma pausa breve
que antecipe a Páscoa
e nos esclareça
acerca do segredo e da glória de Deus inacessível
na face do Cristo, ícone de Deus
vinde, escalemos a montanha do Senhor,
o universo inteiro foi santificado
pela luz que o resgatou da transfiguração:
hoje o Cristo foi transformado na glória do Tabor
que nos ilumine a luz do seu conhecimento
nos carreiros da vida
e nos purifique do que a sombra
em nós escureceu
que a coluna de fogo que revelou a Moisés
o Cristo transfigurado
nos purifique desta sombra e deste escuro
pratiquemos este lugar e esta hora
porque este é o tempo da ficção do rosto,
o tempo de repensar feridas
e refigurar o chão das coisas,
o seu uso e a sua banalidade
porque este é o tempo da ficção do rosto,
o tempo de repensar feridas
e refigurar o chão das coisas,
o seu uso e a sua banalidade
vinde, conversai com o Espírito
e a brisa ligeira vos refresque o rosto
vinde, conversai com Maria,
o paraíso místico
ela nos ensine a beleza do canto
e a beleza desta hora
Fr. José Augusto Mourão
(postado por Alice Matos)
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